WILL SMITH X CHRIS
ROCK
QUEM SAIU DOS
LIMITES?
Durante a transmissão ao vivo do Oscar 2022, o ator Will
Smith subiu ao palco e tapeou o comediante Chris Rock no rosto ao apresentar o
prêmio de Melhor Documentário. Pouco antes, Rock havia feito uma piada com a
esposa de Smith, Jada Pinkett Smith, sobre sua cabeça raspada. Todavia a
calvície é devido a um distúrbio chamado alopecia, que interrompe o ciclo de
crescimento do cabelo e pelos do corpo, gerando quedas.
Nesta situação vemos que o comediante Rock se excedeu, pois o
assunto é delicado, porém o motivo da ira do ator Will não justifica a agressão
com um tapa. Existiam outros meios que poderiam ser utilizados pelo ator, como
uma boa repreensão chamando a atenção para a indelicadeza e falta de compaixão.
Assim como um discurso enfatizando o descabimento de uma piada sobre um assunto
sério, que causa angustia em quem está sofrendo a doença, já seria o suficiente
para o Rock ter ficado mal visto diante de todos e se sentindo mal consigo
mesmo. Seria até uma forma de revidar a ofensa com mais eficácia e pungência.
Neste evento se opuseram duas pessoas, cada uma com suas “boas”
razões, que se enfrentaram com atitudes compatíveis, pois tanto a falta de
respeito pela Jada como a agressão do Will, ambos são comportamentos ofensivos
e antissociais. No caso houve uma invasão de direitos um contra o outro.
Conquanto que o direito de um indivíduo termina quando começa
o do outro, pois, na vida em sociedade, o meu direito acaba onde começa o seu
direito. Significa que o direito ou a liberdade, que cada indivíduo tem, deve
ser pautada no respeito ao próximo.
O Respeito ao próximo se expressa pela compaixão com a
fraqueza do outro. É ter empatia pelas questões alheias, entendendo o lado do
outro e não julgando uma pessoa. Isto conduz a um respeitar a si mesmo, pois
quando temos atitudes como a bondade, acabamos por ter um viver humano elevado
e isto nos faz pessoas melhores.
Quando se fala em ter direito a ser respeitado, antes se deve
analisar a si mesmo, para ver se o dever de respeitar o próximo está partindo
primeiramente de você, para depois poder exigir do outro o mesmo respeito que
você compartilha.
O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da
integridade física, psíquica e moral do indivíduo, abrangendo a preservação da
imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, ideias e crenças, dos espaços
e objetos pessoais.
No artigo 29° da Declaração Universal dos Direitos Humanos
(DUDH) possui três premissas:
· A primeira diz sobre o indivíduo que tem
deveres para com a comunidade, fora da qual não é possível o livre e pleno
desenvolvimento da sua personalidade.
· A segunda afirma que no exercício
deste direito e no gozo destas liberdades, ninguém está sujeito senão às
limitações estabelecidas pela lei com vista exclusivamente a promover o
reconhecimento e o respeito dos direitos e liberdades dos outros e a fim de satisfazer
as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar numa sociedade
democrática.
· E a terceira impõe que em caso algum
estes direitos e liberdades poderão ser exercidos contrariamente aos fins e aos
Princípios das Nações Unidas.
Vemos, então, que qualquer pessoa humana é titular de
direitos fundamentais à sua própria existência, como a dignidade da pessoa
humana, que é um preceito fundamental elencado no art. 1° da Constituição
Federal. Esta pode ser entendida como um Princípio que decorre de todos os
outros direitos constantes na Constituição Federal, uma vez que é a base
para todos os demais direitos fundamentais.
O Princípio da dignidade da pessoa humana é um valor moral e
espiritual inerente à pessoa, ou seja, relacionado com a plenitude humana, pois todo
ser humano é dotado desse preceito, e tal constitui o Princípio máximo do
Estado Democrático de Direito.
Quando falamos em direito à dignidade humana, quando está sendo desrespeitado, consequentemente a existência de um indivíduo não será mais digna, seja no âmbito jurídico ou fático. Dado a natureza de tal direito, é inaceitável qualquer ato que o viole ou o contrarie. Nesta visão podemos ver claramente que é o dever de qualquer indivíduo em velar pela dignidade de todos.
Portanto numa situação irregular como a que vimos no Oscar,
momento no qual ambos feriram o
direito um do outro, sendo eles titulares de direitos fundamentais à sua
própria existência, como assegurar a eles a condição de sujeitos de direito?
Não há nada mais importante para a vida de uma pessoa do que
a sua dignidade. Ao prezar pela dignidade de um terceiro, prezamos também pela
sua vida, liberdade, paz de espírito, honra e autodeterminação.
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