ADVOGADA PÓS GRADUADA EM DIREITO TRABALHISTA, FAMÍLIA E CÍVEL

terça-feira, 22 de março de 2022

 

PRECONCEITO

 

Estive pensando sobre o que dizer acerca deste tema, para que não surja uma indisposição, ante uma possível problematização, que pode gerar uma enxurrada de questionamentos na busca de respostas necessárias, mas por ser um assunto tão explorado, talvez só cause polêmicas, que não construirão nada.

Então decidi falar sobre os meus sentimento como vítima de um fato ocorrido algumas vezes por diferentes vertentes, o que me levou a ingressar na esfera do preconceito, antes intangível. Percebi deste modo que, somente, saberemos a dor do outro, quando verdadeiramente passarmos por uma dor igual ou semelhante. Mesmo que nos compadeçamos do próximo, isto não é suficiente para entendermos intrinsecamente sobre as situações cotidianas que enfrentamos, enquanto sofremos a discriminação.

O Preconceito vem de distorções conceituais formadas antecipadamente, derivadas de um desequilíbrio de julgamento, o qual necessita de tempo para uma equalização total. Muito embora não seja capaz de colocar ninguém em pé de superioridade pré-determinada, pois não tem fundamento sério ou imparcial, envenena e corrói o começo de qualquer relação.

Dentre os pontos que culminam na manifestação do preconceito, destacam-se os fatores históricos e socioculturais, que levam à desigualdade entre os gêneros; entre as etnias distintas, entre os níveis de classe sociais, entre as religiões, entre as regiões geográficas e até mesmo entre as diferentes idades. Preconceitos dos quais podemos analisar:

Misoginia: é uma visão que inferioriza qualquer forma de manifestação ou característica feminina, com desprezo, preconceito, violência, ódio ou aversão às mulheres.

Advém da relação entre o patriarcado, que sujeita a mulher de forma violenta, opondo-se às transformações e liberdade no interior das relações sociais e pondo obstáculos às mudanças na dominação de gênero.

Racismo: é o conjunto de teorias e crenças que estabelecem um hierarquia entre as raças, com a crença em que uma raça, etnia ou certas características físicas sejam superiores as outras.

Embora o racismo associe-se comumente ao preconceito contra os negros, este pode se manifestar contra qualquer raça ou etnia, sejam asiáticos, indígenas, pardos, etc.

Aparofobia: significa aversão, medo ou desprezo aos pobres e desfavorecidos financeiramente. O termo se tornou um neologismo no Brasil. A palavra é derivada do grego da junção das palavras á-poros [pobres] + fobos [medo].

Antissemitismo: é o termo dado ao preconceito contra populações de origem semita, como os árabes e os judeus. Assim, toda forma de preconceito contra povos semitas — cultural, étnica ou religiosa — é enquadrada nessa definição.

Associa-se mais diretamente aos judeus devido à alta repercussão da perseguição aos judeus na Europa ao longo dos séculos XIX e XX.

Xenofobia: é uma desconfiança, um temor ou antipatia por pessoas estranhas ao meio ou por não nativos de um território. Pode ser praticada tanto contra imigrantes (pessoas que partem para outros países), quanto contra migrantes (pessoas que partem para outros Estados dentro de um país).

A xenofobia está diretamente relacionada com o fenômeno da migração, que caracteriza o mundo atualmente.

Ageismo: é conceito utilizado para definir o preconceito de idade, onde criam estereótipos ou descriminam pessoas ou grupos pela idade.

Pode ser feita de diversas formas, como atitudes e práticas discriminatórias, assim como, também, condutas e políticas institucionais que excluem ou limitam a participação dos idosos, promovendo desvantagens e injustiças pessoais e sociais.


Enfim, as diversas formas de discriminação surgem pela falta de compreensão e aceitação do outro como ele é ou está. Devemos nos colocar do outro lado do prisma, para entender que, da mesma forma que os vemos como os diferentes, nós para eles igualmente somos os diferentes! Daí, surge a questão: se ambos somos diferentes, um para com o outro, quem nos dá o direito de rejeitar o outro por sua diferença, sendo que, nós mesmo também somos diferentes?